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Edição 47

Elas estão no comando. O que isso significa? - Edição 47

2 de março de 2020

O estudo Global Female Leaders Outlook (GFLO) foi produzido pela KPMG com base nos depoimentos de 1.124 executivas de 16 países. Na primeira parte, ele traz uma comparação entre os resultados obtidos no Brasil e nas demais nações pesquisadas; na segunda, são analisados os contrastes entre a amostra brasileira do GFLO e os dados obtidos em outro levantamento recente da KPMG, o CEO Outlook 2019, também com foco no recorte nacional.

Optamos por nos ater à primeira parte da pesquisa, com o objetivo de traçar um retrato sem retoques das executivas brasileiras e estrangeiras.

Idades, cargos e outros atributos

Em termos de faixas etárias, qualificação e cargos, as executivas brasileiras estão quase equiparadas às colegas do resto do mundo: aqui, 30% delas têm mais de 50 anos e 52% situam-se entre 40 e 50 anos de idade. Nos demais países, 40% têm mais de 50 anos e 45% estão na faixa dos 40 aos 50 anos. Esses dados demonstram que as mulheres chegam aos cargos mais elevados em idades maduras, tanto no Brasil quanto no exterior. Das brasileiras, 24% ocupam a função de chefe de departamento, seguidas pelas executivas C-Level (23%) e 13% ocupam o cargo de CEO. Nos demais países, as maiores proporções são de executivas C-Level (20%), CEOs (19%) e chefes de departamento (17%).

Brasileiras e estrangeiras atuam basicamente nas áreas de estratégia (38% aqui e 41% no resto do mundo), finanças (27% e 26%) e jurídica ou de compliance (17% e 15% dos dois grupos, respectivamente).

Entre as brasileiras entrevistadas, 79% têm filhos; nos outros países, a média é de 72%. É nítido que o Brasil ainda considera os cuidados com os filhos um dever predominantemente materno: globalmente, 11% das entrevistadas afirmaram que seus parceiros tiraram licença para ficar com o bebê nos primeiros meses. No Brasil, essa média foi de apenas 5%.

Questões de gênero e diferença salarial

Nas entrevistas, 34% das brasileiras e 38% das estrangeiras queixaram- se da falta de transparência das companhias no tocante à remuneração. Essa e outras discriminações afetam o dia a dia de 57% das executivas nacionais e 56% das estrangeiras. Além disso, tanto no Brasil quanto no exterior, 4% das entrevistadas declararam já terem sofrido assédio sexual.

Riscos

No tocante às preocupações, a disrupção tecnológica preocupa 23% das entrevistadas em ambos os grupos, enquanto o risco regulatório foi citado por 17% das estrangeiras e 16% das brasileiras. O risco ambiental foi apontado por 11% das respondentes brasileiras e apenas 5% das entrevistadas do exterior.

Outro dado diferenciador é a questão fiscal: 6% das brasileiras a apontam como um risco para suas empresas, enquanto nenhuma estrangeira a citou.

De maneira equivalente, foram mencionados os riscos operacionais (principal ameaça na visão de 12% das executivas internacionais e de 11% das brasileiras) e os de cybersegurança (apontados por 11% e 9% dos dois grupos, respectivamente). O papel estratégico da segurança da informação é reconhecido tanto aqui (66% das respondentes) quanto lá fora (70%).

As estrangeiras, porém, estão muito mais preocupadas com a cybersegurança: 57% disseram que sua dúvida não é se, mas quando sofrerão um cyberataque, enquanto somente 35% das brasileiras compartilham dessa opinião.

Inovação

A necessidade de aprimorar os processos de inovação é admitida por 99% das brasileiras e 96% das estrangeiras. No Brasil, 71% das entrevistadas afirmaram que as companhias em que trabalham dispõem de estruturas de gestão que amparam os processos de inovação desses recursos, e 80% acreditam que os avanços tecnológicos são uma oportunidade e não uma ameaça. No restante do mundo, esses percentuais são de respectivamente 69% e 71%.

Resiliência e tecnologia

Uma empresa capaz de se adaptar rapidamente às mudanças no ambiente de negócios é uma empresa resiliente: essa percepção é compartilhada por 82% das respondentes brasileiras e 81% das estrangeiras.

No tocante à tecnologia, 45% das brasileiras e 38% das estrangeiras defenderam o desenvolvimento de produtos e serviços disponíveis via plataformas digitais, enquanto a colaboração com startups de tecnologia é uma opção plausível para 30% e 36%, respectivamente.

A Inteligência Artificial (IA) ainda é uma tecnologia emergente na maioria das empresas: 41% das brasileiras e 37% do outro grupo afirmaram que não implementaram recurso algum do gênero em suas companhias. Apenas uma pequena fatia (2% no Brasil e 3% no exterior) declarou já estar colhendo os frutos dos recursos aplicados em IA.

Quanto aos sistemas de automação, 33% das brasileiras e 29% das estrangeiras disseram que suas empresas não investem no setor. Em ambos os grupos, 21% de entrevistadas disseram que, se houvesse investimentos nesses sistemas, os resultados seriam perceptíveis de um a três anos. Já 16% das brasileiras e 15% das demais querem retorno em até 12 meses. O período de cinco a 10 anos é a aposta de 7% das entrevistadas de nosso país e de 5% das demais, enquanto 10% das nossas executivas e 15% das estrangeiras não definiram um prazo específico para obter resultados.

Por sua vez, no domínio de ferramentas tecnológicas, as brasileiras são mais familiarizadas com mídias sociais, plataformas digitais e análise de dados. Além disso, 11% das respondentes do nosso país dominam algoritmos e programação, ante 8% no panorama global.

Mais da metade dos dois grupos (57% no Brasil e 58% no cenário mundial) tem conhecimento mediano em plataformas digitais, e 55% e 59%, na mesma ordem, disseram ter recebido algum treinamento para trabalhar com mídias sociais, mas não consideraram que essa capacitação tenha sido suficiente.

Carreira e motivação

Sobre o futuro profissional, 80% das brasileiras e 72% das estrangeiras pretendem galgar degraus mais altos na carreira. No entanto, 37% das primeiras e 39% das segundas não têm mais espaço para crescer na mesma companhia, o que as obrigaria a mudar de empresa para conseguir uma posição mais elevada. Aparentemente, porém, as profissionais são fortemente comprometidas com as organizações em que atuam: 37% das brasileiras e 33% das estrangeiras afirmam que seu principal fator de motivação seja possibilitar o sucesso de longo prazo das empresas em que trabalham.

Comunicação e redes

As redes sociais são vistas como um recurso para: efetuar pesquisas (57% das brasileiras e 42% das estrangeiras); expandir os conhecimentos pessoais (44% e 38%, respectivamente); e um impulsionador da carreira (33% e 19%). Além disso, 70% das executivas brasileiras e 51% das estrangeiras as consideram úteis para a criação de network.

Conclusões

Ao redor do planeta, as lideranças femininas enfrentam desafios parecidos. Em 16 países de quatro continentes, as respondentes lidam com questões de gênero, das quais a diferença salarial e uma certa desigualdade no trato das questões domésticas e familiares ainda fazem parte; percebem a necessidade de

Nas entrevistas, 34% das brasileiras e 38% das estrangeiras queixaram-se da falta de transparência em relação à remuneração. Além disso, em ambos os grupos, 4% afirmaram ter sofrido algum tipo de assédio sexual

se preparar para um mundo cada vez mais inovador, tecnológico e disruptivo; e priorizam um modelo estratégico e focado na equipe.

Examinadas mais a fundo, as convergências sinalizam algo muito promissor: temos mais a compartilhar, aprender e cooperar com nossas colegas estrangeiras do que talvez imaginássemos. Neste sentido, o Global Female Leaders Outlook (GFLO) enfatiza o quanto o mundo está “menor”, ou seja: caminhamos para um futuro de fronteiras tênues, caracterizado principalmente pelo compartilhamento de tecnologias e valores universais.

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