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Edição 47

Drinque á Brasileira - Edição 47

2 de março de 2020

Realizado pela Associação brasileira de bebidas alcóolicas (Abrabe), entidade que reúne 36 empresas do segmento de bebidas alcoólicas, o estudo intitulado “O mercado, o consumidor, o futuro” mostra que as vendas de cervejas, vinhos, destilados e cachaças caíram 9,6% no período de 2014 a 2018. O pior ano da série histórica foi o de 2017, em que foram comercializados 13,5 bilhões de litros – 100 milhões a menos do que no ano anterior, 2016, e do que no ano seguinte, 2018.

Responsáveis por um faturamento superior a R$ 23 bilhões, 30 mil empregos diretos e 48 unidades fabris instaladas de Norte a Sul (números correspondentes as associadas da Abrabe), as fabricantes de bebidas alcoólicas brasileiras apontam a tributação (veja box) como um fator de extremo encarecimento dos produtos. Diante do preço elevado do produto nacional e legalizado, o consumidor muitas vezes opta por alternativas, seja buscando bebidas de outros tipos, seja adquirindo produtos ilegais. De acordo com o estudo, que lança um olhar inédito sobre o setor de bebidas, os impactos econômicos dessas decisões podem se refletir inclusive em perda de arrecadação – afinal, se o consumidor compra algo na ilegalidade, ele necessariamente sonega os impostos relativos àquela transação.

Apesar do momento de baixa, o setor segue investindo no futuro e projeta uma modesta recuperação já a partir de 2019. Neste sentido, tem empreendido todo um esforço no sentido de fortalecer suas marcas e compreender o consumidor, que anseia por inovação e produtos de melhor qualidade e cada vez mais tende a valorizar iniciativas de sustentabilidade (voltadas, por exemplo, ao estímulo à reciclagem e à facilitação da logística reversa), de integração de canais de venda (físicos e virtuais) e de aproximação com o fabricante – visitas monitoradas às unidades de produção, por exemplo, têm conquistado cada vez mais adeptos.

Oportunidades

Apesar do cenário geral ser de “baixa” para o segmento como um todo, os fabricantes de cervejas especiais têm experimentado uma expansão digna de nota: no mesmo período de 2014 a 2018, em que as vendas totais tiveram o declínio mencionado no primeiro parágrafo deste artigo, as vendas dessas bebidas dispararam de 55,6 para 188,2 milhões de litros, alcançando um crescimento de 35,7%.

Para os produtores de cachaça, a retomada das negociações de um acordo comercial do Mercosul com a União Europeia é bastante promissora. A tequila, sua similar mexicana, experimenta um crescimento anual de 6,8% nas exportações. Neste sentido, a bebida brasileira, desde que devidamente municiada por denominação de origem e controles rígidos de qualidade, tem boas chances de penetrar no mercado internacional e reverter a tendência de queda: em 2018, vendemos 8,42 milhões de litros para outros países, ou 1,76 milhões a menos que em 2014, quando as exportações chegaram a 10,18 milhões de litros.

A coquetelaria também tem se mantido em alta. E, graças à “moda” de fazer drinks em casa, o consumidor tem, cada vez mais, se voltado para os destilados, muitas vezes mesclando marcas estrangeiras com produtos nacionais. Nesta seara, quem mais se beneficiou foi o gim, que vendeu 35,3% mais em 2018 do que em 2014; já o uísque, o conhaque e o rum estão em tendência de baixa, com quedas de 6,7%, 4,9% e 4,1%, respectivamente.

Dentre os produtores de vinho, o principal obstáculo reside no chamado “custo Brasil”: o crédito custa caro para quem cultiva uva e produz vinho, o que eleva o preço final do produto. No período analisado pela pesquisa, o vinho tinto sempre predominou, com média de 70%, nas vendas off-trade, ou seja nos supermercados e canais web. A pesquisa indica, a partir das entrevistas realizadas, que o mercado adote ações voltadas a simplificar o consumo de vinho e aposte em produtos refrescantes, mais adequados às nossas condições climáticas, para alavancar as vendas.

Thais Balbi
A balança
comercial do
setor de bebidas
alcoólicas está
deficitária
atualmente, mas
esse cenário tende
a mudar graças à
sofisticação das
cervejas especiais
e à cachaça com
denominação de
origem controlada
Mesa com bebidas

Mercado Externo

O consumidor internacional aprecia produtos com tradição e identificação nacional. Por isso, embora a balança comercial do setor de bebidas alcoólicas seja deficitária atualmente, existem boas perspectivas de melhorar seu desempenho, graças ao aumento da demanda por bebidas especiais e à sofisticação das cervejas especiais e da cachaça com denominação de origem controlada.

A importação e a exportação de bebidas gera um ciclo virtuoso. Por exemplo: o crescimento da importação de destilados incentiva o desenvolvimento da indústria local, como é o caso do crescimento das produções nacionais. A exportação de produtos com maior qualidade, por sua vez, favorece o Brasil em termos de representatividade global.

Tributos incidentes

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