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Mercados Industriais

Onde, como e quando apostar na indústria automotiva?

Líder do setor na KPMG comenta modelo criado para orientar decisões de investimentos. Confira!

13 de maio de 2021
carros elétricos conectados a rede de abastecimento de energia

Dominada há mais de um século pelo motor de combustão interna, a indústria automotiva vive um período de transição, com investimentos da ordem de US$ 200 bilhões na direção de uma matriz energética mais plural, com destaque para os veículos elétricos a bateria.

Somando a isso as preocupações com as mudanças climáticas e novos regimes regulatórios, como definir as estratégias de investimentos no setor, onde, como e quando apostar nesse novo desenho energético automotivo? Para ajudar a responder a esses dilemas, a KPMG lançou a publicação Place your billion-dollar bets wisely: powertrain strategies for the post-ICE automotive industry.

Mosaico de cenários

O estudo traça um mosaico de vários cenários, com uma série de questões que envolvem o futuro do setor. Uma delas é que ninguém sabe ao certo com que velocidade os veículos elétricos substituirão os motores de combustão interna.

O mosaico inclui também a possibilidade de várias combinações de motores flex, de veículos movidos a hidrogênio, gás natural e, talvez, até energia solar. Em quase todos os cenários, a indústria automotiva pode esperar grandes mudanças estruturais. As cadeias de suprimentos serão reconfiguradas, e as empresas precisão ajustar seus portfólios de negócio.

Uma das conclusões da publicação é que o mosaico pode mostrar como fazer apostas mais embasadas, como escolher novas posturas estratégicas e adotar uma estrutura dinâmica de tomada de decisões. Na entrevista a seguir, Ricardo Bacellar, sócio-líder de Industrial Markets e Automotive da KPMG no Brasil, comenta mais detalhes sobre o tema. Confira:

Como o mosaico contribui para as novas posturas estratégicas da indústria?
As discussões em torno do tema veículos elétricos costumam ser subdivididas em vários temas como infraestrutura, matriz energética, custos de produção, potencial de demanda, modelo dos veículos, entre outros. Pela primeira vez a KPMG se propôs a desenvolver um trabalho intenso, compilado neste documento, condensando todas essas variantes e, com isso, proporcionando uma contribuição estratégica muito importante para a indústria. E quando eu falo indústria aqui eu contemplo todos os entes envolvidos: desde as empresas que produzem matéria prima, passando pela cadeia de fornecedores em todos os tiers, montadoras, e também na rede de distribuição, porque os impactos da chegada do veículo elétrico permeiam o ecossistema como um todo. Então, a grande contribuição da KPMG nesse documento é, num primeiro momento, consolidar todos esses vetores de discussão, dar um sentido coerente para eles, e apresentar uma metodologia que auxilie os executivos da indústria a chegar às suas conclusões, às suas tomadas de decisões estratégicas que envolvam os veículos elétricos.

Qual é a perspectiva de investimentos em infraestrutura para veículos elétricos no Brasil?
O nível de maturidade da discussão em torno da chegada dos veículos elétricos difere muito de acordo com a realidade de cada país, e um aspecto que tem empurrado fortemente este assunto no mundo inteiro é a perspectiva de redução de emissões de CO2. O veículo elétrico, no entanto, é um veículo que demanda muito investimento para ser produzido e, consequentemente, ainda chega ao mercado com um preço relativamente alto. Todos os países onde se observa um estágio mais avançado na venda de veículos elétricos trabalham com algum tipo de subsídio governamental e ainda assim não alcançaram um patamar que se possa chamar de popular, e o documento mostra isso com absoluta clareza. No caso particular do Brasil, a oferta farta de alternativas de bio-combustíveis de baixa emissão, com “infraestrutura de recarga” já instalada, propicia não só uma condição diferenciada para projetar uma vida ainda bastante longa para os motores a combustão, mas também um conforto temporal para fazer frente aos investimentos necessários em infraestrutura de recarga para as alternativas eletrificadas com mais tranquilidade.

Como as empresas podem viabilizar esta transição de uma forma economicamente viável?
É fundamental propiciar meios de tornar o veículo elétrico popular, lembrando que o modelo de negócio da indústria automotiva tem um pilar essencial que é volume, mas como conseguir este intento se o veículo elétrico chegar ao mercado com um preço elevado em relação a renda média do brasileiro?
Dentro do modelo dito “tradicional” da indústria, de produção e venda de veículos, o desafio é grande considerando as projeções de que um veículo elétrico de entrada não chegaria ao Brasil por menos de um valor em torno de R$ 130 mil quando já encontramos dificuldade de colocar no mercado veículos populares à combustão na casa de R$ 45 mil ou R$ 50 mil.
Porém, novas formas de comercialização de produtos como o modelo de assinatura, que proporciona ao consumidor uma percepção de valor de investimento muito mais sedutora, pode configurar-se um eficiente caminho para tornar real a venda deste produto em maior volume e, quem sabe minimamente no médio prazo, mostrar para as montadoras que, sim, é viável investir na produção de veículos elétricos aqui no Brasil.
Talvez a mensagem mais positiva dessa história seja: para qualquer indústria que pensa em desenvolver uma estratégia de lançamento de um novo produto no mercado, a primeira grande dúvida é se vai ter demanda que justifique o investimento necessário. E neste caso sabemos de antemão que o brasileiro tem total interesse em adquirir veículos elétricos, vide os resultados apurados em nossa pesquisa automotiva de 2019, onde a maioria esmagadora dos consumidores entrevistados declarou este desejo.
Então, mãos à obra!

 

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