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Inclusão e Diversidade

Celebre a diversidade

No Dia Nacional da Visibilidade Trans, confira entrevista com Danielle Torres.

29 de janeiro de 2021
Formatos abstratos nas cores rosa e azul

Em 29 de janeiro, é celebrado o Dia da Visibilidade Trans, instituído pelo Ministério da Saúde em 2004. A data marca a luta de pessoas trans pelo direito à vida, à educação, ao acesso à saúde e ao reconhecimento como indivíduo pelo nome social.

Ainda há muito a se fazer em favor da inclusão das pessoas trans, especialmente no combate ao preconceito, mas, neste dia, vamos relembrar e comemorar direitos já conquistados:

  • Em 2006, aprovação da Lei Maria da Penha para mulheres LGBT.

  • O SUS realiza cirurgias de redesignação sexual desde 2008.

  • Em 2016, o decreto nº 8.727 garante o uso do nome social e o reconhecimento da identidade de gênero.

  • O Supremo Tribunal Federal (STF) autoriza alteração de nome e gênero no registro civil nos cartórios em 2018.

  • Em 2020, o STF determina que discriminação contra pessoas LGBT+ é crime.

Para fomentar informação, conscientização e respeito, a KPMG apoia a inclusão LGBTI+ por meio do pilar Voices, do Comitê de Inclusão e Diversidade, que realiza ações para combater a discriminação e tornar o ambiente de trabalho mais seguro e acolhedor.

Celebramos a data da Visibilidade Trans com uma entrevista linda e importante concedida pela sócia-diretora da KPMG no Brasil, trans-feminina, Danielle Torres, para contar sobre sua vida profissional e pessoal.

Com 15 anos de carreira, Danielle tem experiência em auditoria na prática de seguros e serviços financeiros e atualmente trabalha no Departamento de Práticas Profissionais da KPMG nos Estados Unidos, mais especificamente no PCAOB Standards Group (PSG). Atende também consultas sobre temas técnicos de auditoria das firmas-membro de todo o mundo, trabalha em projetos de qualidade de auditoria e ministra treinamentos globais e para localidades específicas.

Danielle representa a KPMG Brasil como membro votante no Topic Team Global de Contratos de Seguros, coordenado pela KPMG ISG, em Londres. A sócia também diz que é maquiadora profissional e que adora ser fotografada e fazer modeling.

Confira a entrevista:

danielle torres: mulher branca de cabelos castanhos compridos. Ela veste uma calça, camiseta e blusa xadrez e está sentada na frente de uma grande janela de onde é possível ver a cidade de Nova York

O que você mais gosta de fazer em Nova York?

Eu morava muito perto do Hudson River Park e do Hudson Yards. É uma área relativamente nova em Nova York e contrasta um pouco com a parte mais clássica da cidade. O meu passeio favorito é comprar algo para comer e fazer piquenique no parque. Fica muito cheio, especialmente no verão. Também adoro passear na região do Rockefeller Center, que tem sorveterias veganas incríveis! O Central Park é um clássico, mas demorei quase um ano para dizer que sei me localizar por lá sem me perder. O parque Madison é também uma delícia, e gosto de ir lá tomar açaí. Tem uma loja de uma brasileira bem próxima dali. Frequento muito o Village e Chelsea, que são regiões muito LGBTs e têm restaurantes vegetarianos e veganos incríveis, além de cafés muito agradáveis. Quando sinto saudades do Brasil, frequento o Upper West Side, onde há ótimos restaurantes brasileiros (e com opções vegetarianas). A cidade respira inclusão e diversidade, além de respeito ao feminino. É difícil falar, o mundo cabe em Nova York. Mas, resumidamente, esses são meus spots favoritos.

Em que momento você começou a se questionar sobre sua identidade?

Acho que desde o momento em que tomei consciência de mim mesma. Eu me esforcei o máximo que pude para deixar de ser a criança e a adolescente feminina como costumavam se referir sobre mim e incorporar uma identidade masculina. Acho que por muitos anos, ao menos superficialmente, eu tive sucesso. Mas paguei um preço caro por isso em minha saúde. Então, chegou um ponto da minha vida em que simplesmente parei de lutar contra a minha natureza.

Como a KPMG te ajudou no seu processo de autoconhecimento como uma mulher trans?

Foi um processo de aprendizado muito benéfico. Ao mesmo tempo, foi algo delicado, especialmente pelo fato de que nos despedimos de uma identidade minha, que era querida por muitas pessoas, incluindo eu mesma. Ser apoiada pela firma e ter tido tempo e respeito para meu autoconhecimento foram fundamentais para que eu vivesse na prática os valores da nossa organização e compreendesse o quanto eu admiro a firma e quero seguir minha carreira na KPMG, com os colegas e profissionais que respeito e admiro.

O que mudou depois desse processo?

De certa forma, pouco, no sentido de que eu sempre fui e continuo a ser a mesma pessoa. Eu acho que fiquei mais bonita e simpática, verdade. Mas alguns aspectos posso ressaltar.

A mudança principal é que eu costumava ser conhecida principalmente no departamento em que trabalhava e, após esse processo, mais profissionais da firma tiveram a oportunidade de me conhecer. Também, sem mais precisar lutar contra a minha natureza, pude focar exclusivamente naquilo que sei fazer melhor para a firma: trabalhar e entregar valor para nossos times e clientes. Assim, me especializei e abri outras frentes e oportunidades de trabalho dentro da firma.

De uma maneira não planejada, tornei-me porta-voz de pessoas trans para inúmeras organizações. Até esse momento, eu já devo ter falado para mais de 100 organizações por todas as Américas, dividindo a minha vivência com milhares e milhares de profissionais. Já contei a minha história inúmeras vezes, em português, inglês e espanhol. Dos idiomas que falo, só falta o francês. Brinco que, no dia em que estiver fluente em francês, será um prazer também. Faço todas essas atividades de maneira voluntária. Para mim, é importante desmitificar o/a profissional trans. E nada mais justo do que conhecer a história de cada uma de nós. Por inúmeras vezes ouvi das minhas plateias: “Percebi que você é uma pessoa como todas as outras”. Deveria ser algo bastante natural essa percepção, não é mesmo? Mas falta um pouquinho ainda para que a sociedade alcance de maneira ampla essa percepção. Então, fico feliz em contribuir.

Como o Voices te ajuda?

Eu amo o Voices. Parte de nossa sociedade ainda demonstra uma tendência a acreditar que o mundo é para um determinado perfil de pessoas, o que coloca membros da comunidade LGBTQI+ em estado de atenção constante, pois não se sentem à vontade para compartilhar temas corriqueiros da sua vida.

No Voices, somos todos uma comunidade de profissionais engajados com os valores da firma e temos também a liberdade de sermos nós mesmos sem a preocupação de que sofreremos julgamento.

Isso é lindo, transforma o ambiente e promove networking profissional. Não é por ser trans, gay ou lésbica que alguém é diferente profissionalmente. Precisamos de oportunidades iguais. E o Voices está aí para garantir e vocalizar isso.

O que você acredita que falta para tornar o mundo mais inclusivo?

Percebemos que somos todos diversos. Enquanto acharmos que o outro é diferente, repetimos preconcepções e padrões. No dia em que percebermos que estamos todos de passagem por essa aventura chamada vida, veremos que existem temas em que não vale a pena nos prolongarmos, mas sim vivermos de maneira plena.

Qual o papel da KPMG e de outras empresas com relação à inclusão e diversidade?

É fundamental! A KPMG é pioneira, está na vanguarda, e acredito que continuará a estar no futuro, pois diversidade e inclusão fazem parte dos nossos valores e cultura. Em minha visão, temos uma responsabilidade com todo o mercado.

Infelizmente, de forma geral, algumas portas são fechadas para profissionais diversos em nosso país, o que provoca, para aqueles que são preparados, a partida para mercados internacionais, ou a triste marginalização social para aqueles que não tiveram a sorte de possuir uma educação de base privilegiada. Diversidade é oportunidade para todos. Precisamos encontrar meios de garantir que todos os profissionais tenham oportunidades iguais. Custa caro a fuga de talentos brilhantes para outros países devido à falta de respeito, no ambiente profissional, de sua identidade de gênero ou sexualidade.

O que você está buscando agora?

Valorizar as pessoas que são importantes para a minha vida, incluindo os inúmeros contatos profissionais com quem tanto aprendi e a quem tanto devo. Em 2020, muita coisa mudou, e sei que agora quero estar perto daqueles que me são importantes.

No trabalho, quero seguir como uma profissional de práticas profissionais. Amo essa área e acredito que agrego valor aos times que atendo. O meu trabalho é orientar, discutir e ponderar os caminhos técnicos, e sinto que com isso devolvo todo o carinho que a firma teve comigo ao longo da minha carreira.

Eu também iniciei recentemente um mestrado em uma das maiores universidades de tecnologia dos Estados Unidos. O meu primeiro emprego, antes da firma, foi como programadora, e gosto muito de matemática, dados e sua interação. A auditoria do futuro será muito calcada nesses processos. Então, após um MBA em tecnologia no Brasil e uma certificação em ciência de dados, ambos muito próximos de concluir, me apliquei para o mestrado e fui aprovada. Tem sido desafiador.

Que legado você quer deixar?

Eu somente espero que existam pessoas trans capazes de ir muito além de mim. Eu fui uma das primeiras do Brasil. Sei que não sou mais a única, muito menos serei a última. Tenho certeza de que serei superada pelas gerações futuras, e isso já faz com que a minha caminhada tenha valido muito a pena. Eu espero que nossos trainees trans do futuro encontrem na firma um ambiente de igualdade que permita que eles sigam uma carreira promissora e feliz.

Para concluir, gostaria de deixar alguma mensagem?

Ser trans é difícil. Já desanimei muitas vezes e pensei em desistir inúmeras outras. Até que percebi que preciso ter empatia com a limitação do outro. Sim, é difícil. Um aprendizado para todo dia. Mas ao ser trans em uma sociedade que ainda tem tanto a aprender sobre o coletivo, eu tenho a oportunidade de viver uma verdade todos os dias. Acho que por isso tantas pessoas se inspiram na minha jornada. Minha história não é a de uma garota trans que se perdeu pelo caminho, pois tinha tanto contra ela, mas sim a de um ser humano que aprendeu a nunca desistir de sonhar e ter esperança. E isso acho que todos nós temos em comum: o desejo de ser feliz.

A KPMG também preparou uma cartilha para celebrar a data. Para acessar, clique aqui.

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