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Tecnologia, Mídia e Telecomunicações

Desafios da infraestrutura no Brasil

A inovação, a crescente intersetorialidade e as oportunidades de negócios.

15 de julho de 2020

*Por Rita Knop, sócia-diretora de Advisory, e Franceli Jodas, sócia-líder de Power & Utilities da KPMG no Brasil

A transformação digital vem criando novos modelos de negócio. Na era das startups, da inovação e do crescimento exponencial, até as empresas de capital intensivo, como é o caso das utilities, vêm sofrendo pressões para atender os clientes de forma mais ágil, com altos índices de qualidade e com ampla oferta de serviços. Elas buscam o conceito de compartilhamento de ativos como forma de ampliação dos serviços, sem necessariamente ampliar os seus ativos.

Um exemplo claro é o setor de energia e telecomunicações, que vem buscando de forma intensa o endereçamento dos seus desafios através do compartilhamento da infraestrutura de postes, uma prática comum entre os dois setores. Esse é um tema que vem sendo debatido em todos os níveis da sociedade, incluindo o Ministério Público, Procon e órgãos responsáveis por licenças ambientais (federal, estadual e municipal), a sociedade civil e, é claro, as agências reguladoras (ANEEL e ANATEL), que realizam audiência pública para a revisão dos regulamentos envolvendo o compartilhamento dos postes.

O problema nasceu do crescimento substancial do setor de telecomunicações, com aproximadamente: 40 milhões de  acessos em telefonia fixa e 31 milhões em banda larga fixa, 18 milhões de e acessos de TV e 5 mil operadoras de SCM.

A resultante desse contexto na infraestrutura de postes gira em torno de uma ocupaçãodesordenada da infraestrutura do setor elétrico, neste caso os postes, que tem hoje em média 19% de sobrecarga, com ocupação na maioria das vezes irregulares e clandestinas.

Os impactos negativos à sociedade são inúmeros, como riscos de acidentes por rompimento de cabos, acidente de trabalho na hora da manutenção elétrica e o impacto visual nas cidades. Considerandoquenum breve futuro essa mesma infraestrutura será fundamental para a implantação da rede de 5G, tanto para a instalação das redes óticas de escoamento do alto tráfego do 5G comopara a própria sustentação aérea dos elementos irradiantes de células de menor cobertura, a ocupação ordenada da infraestrutura e a conformidade com a normatização técnica são aspectos críticos para a eficiência e a sustentabilidade dos setores.

Outras formas de compartilhamento de infraestrutura estão sendo testadas nos setores de utilidades públicas, como é o caso das transmissoras de energia e das empresas de saneamento, que reconhecem a capacidade de contribuir com as novas redes de telefonia e, consequentemente, elevar a taxa de utilização dos seus ativos, mas existem desafios de modelo de negócio, regulatório, tributário e, sobretudo, tecnológicos a serem vencidos.

O fato é que o simples compartilhamento da infraestrutura pode não gerar o valor esperado pelos setores e frustrar as expectativas de ganhos mútuos. Entendemos que, para aumentar a viabilidade dessas cooperações, as empresas parceiras precisam investir em um modelo de gestão compartilhada, através de novas tecnologias que possibilitam a visão holística dos processos que envolvam a infraestrutura, o compartilhamento de controles e riscos no modelo fiel de cooperação.

As novas tecnologias, que pressionam por novos níveis de serviço, são as mesmas que viabilizam os novos modelos de negócio, desde que não caiamos na tentação de operar o novo modelo de negócio com o velho modelo de gestão.

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