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Edição 46

A Era das grandes transformações - Edição 46

4 de novembro de 2019

Não é novidade que as organizações estão cada vez mais preocupadas com o advento das novas tecnolo gias. Com base nas respostas fornecidas por 3645 entrevistados de 21 países, e na análise de três milhões de fontes de dados acumulados ao longo das últimas duas décadas, a KPMG traçou um retrato de como essa questão está sendo vista e enfrentada por empresas de diferentes portes e áreas de atuação. O resultado pode ser conferido no estudo CIO Survey 2019, que, dentre outros insights, mostra um aumento significativo no aporte de verbas para as áreas de Tecnologia da Informação (TI), além do ganho de prestígio pelos profissionais de tecnologia dentro da estrutura administrativa das organizações e uma ênfase cada vez maior na busca por transformação e no aprimoramento da segurança cibernética.

Em relação aos investimentos, o estudo mostra que a verba destinada pelas empresas aos departamentos de TI cresceu de maneira muito significativa nos últimos 15 anos. E essa tendência deve perdurar: 52% dos líderes em tecnologia esperam injeção de recursos para o próximo ano, e 51% têm em perspectiva um aumento do número de empregados. Os investimentos voltam-se principalmente para as áreas de transformação (44% das empresas antecipam grandes mudanças), segurança cibernética (prioridade para 14% das empresas participantes da pesquisa) e automação (apontada por 17% como prioridade do Conselho de Administração em 2019).

De acordo com a pesquisa, 48% das empresas estão se preparando para mudar seus modelos de produtos e serviços nos próximos três anos. Quase a metade (44%) está passando por algum tipo de mudança digital importante, que provocará um impacto fundamental, seja com a introdução de novos produtos e serviços (38%), seja pela transformação dos modelos de negócio, com a substituição, por exemplo, da venda de produtos pela oferta de serviços (6%).

Em 41% das empresas, novos produtos e serviços deverão complementar os já existentes. Os principais motivos para essas mudanças são a ruptura digital e a necessidade de aproximar-se ainda mais do consumidor. Além disso, quase dois terços das organizações investem na gestão de TI, embora apenas 10% delas façam isso de uma maneira realmente plena, eficaz. Ainda assim, a pesquisa demonstra que, sem sombra de dúvida, as empresas estão investindo continuamente em novas tecnologias emergentes: 75% delas têm apostado na computação em nuvem e pelo menos 20% implementaram a Internet das Coisas, plataformas on-demand, automação de processos robóticos e inteligência artificial (IA) em pequena escala.

À ênfase tecnológica, soma-se a consciência do protagonismo do consumidor: de acordo com a pesquisa, as empresas que mais investem recursos e expertise em time-to-market (tempo de análise de um produto até sua comercialização) e em soluções voltadas à satisfação do cliente têm sido mais bem-sucedidas do que as concorrentes que permanecem atreladas à forma antiga de fazer negócios. Além disso, as organizações nas quais o Chief Information Officer não se envolve diretamente com a gestão da TI têm duas vezes mais probabilidade de deixarem múltiplas áreas de segurança expostas – ou seja, de padecerem com falhas em cyber security.

No estudo, 30% das empresas foram classificadas como “muito ou extremamente eficazes no uso da tecnologia digital para aperfeiçoar as suas estratégias de negócios”. Classificadas como “líderes digitais”, elas têm algumas características em comum: tanto o Conselho de Administração (CA) quanto o CEO priorizam a criação de valor, valorizam a agilidade e o CIO faz parte da equipe executiva, tendo participação efetiva no negócio.

Claudio Soutto

Assim, o que diferencia os líderes digitais da média empresarial é o foco na criação de valor visível para a empresa. A liderança digital não surge espontaneamente: muitos fatores precisam estar alinhados, e isso começa no topo. O Estudo CIO Survey revela que empresas que são líderes digitais costumam ter um líder em tecnologia como membro da Alta Administração, onde ele interage com outros executivos e influencia as decisões de maneira assertiva. Nessas empresas, as áreas de negócio trabalham de forma colaborativa para gerar mudanças tecnológicas (54% comparados a 18%*), e seus CAs priorizam o desenvolvimento de produtos e serviços novos e inovadores, o desempenho em TI consistente e estável, a melhoria da experiência do cliente, o aperfeiçoamento dos processos corporativos e o aumento da eficiência operacional.

homem utilizando o tablet para controlar um robo

E a força de trabalho?

As empresas acreditam que parte significativa de suas equipes – entre 10 e 20% – será substituída por soluções em IA em um prazo de cinco anos. No entanto, para dois terços dos entrevistados, o surgimento de novas funções garantirá que essa mão de obra seja reabsorvida. Claro que, como sempre, a permanência de um profissional no mercado dependerá principalmente da capacidade dele se adequar aos novos tempos, às novas demandas e à necessidade de desenvolver novos conhecimentos e habilidades.

No estudo, fica claro que as bases de custo das empresas que não estão investindo em IA e automação tenderão a ficar maiores do que as de suas concorrentes mais avançadas tecnologicamente. De qualquer forma, o desafio residirá em modelar e integrar uma futura força de trabalho colaborativa, que combine os elementos humano e digital. Chama atenção a escassez de talentos apontada pelas empresas, principalmente as mais antigas e maiores (com orçamentos acima de US$ 250 milhões). Dentre estas, apenas 26% conseguem reter pessoal-chave entre seus talentos tecnológicos. Nas empresas menores, com orçamentos abaixo de US$ 50 milhões, a retenção é de 46%. Uma das possíveis explicações para esse fenômeno é que profissionais de tecnologia tendem a valorizar projetos inovadores e o aprendizado de novas habilidades acima de qualquer coisa (incluindo salário e segurança no emprego), e encontram um ambiente mais propício à inovação nas empresas menores, que são menos “engessadas”.

Ainda sobre a mão de obra, 26% dos entrevistados avaliam que são muito bem sucedidos na promoção da diversidade e da inclusão em suas equipes, um número significativamente maior do que os 19% do ano passado. Entretanto, o crescimento na porcentagem de mulheres em equipe de tecnologia foi mínimo: 22% em 2019, contra 21% em 2018. Já nos cargos de liderança, apenas 12% das posições de chefia no campo da tecnologia são ocupados por mulheres.

Transformação

Mais da metade dos líderes em tecnologia dos setores de Telecomunicações (57%), Divulgação/Mídia (57%) e Tecnologia (56%) relata uma “grande transformação” ou uma “transformação radical”. Vale notar que tais transformações parecem ocorrer independentemente do tamanho ou da idade das empresas, com aquelas de pequeno porte e mais recentes demonstrando a mesma probabilidade de transformação das empresas maiores e mais antigas. Contudo, as empresas que lançam novos produtos a uma velocidade menor do que a concorrência apresentam probabilidade duas vezes maior de sofrer uma transformação radical (13%, contra um percentual médio de 6%).

Tecnologia em nuvem

Até cinco anos atrás, as empresas se mostravam muito céticas em relação ao uso de nuvem. Temiam, principalmente, a ocorrência de eventuais falhas de segurança. O Estudo CIO Survey deste ano mostra que 85% das empresas estão mais confiantes quanto ao uso das tecnologias de nuvem, e que uma quantidade cada vez maior delas tem aderido à novidade. Além disso, é pequena a diferença do número de ataques cibernéticos entre as empresas com implementação de nuvem em larga escala e a média global – respectivamente, 35% e 32%).

Vale notar que, embora os líderes de TI consultados neste estudo tenham se mostrado mais confiantes em relação à capacidade de as empresas se prevenirem contra ataques cibernéticos, outras pesquisas indicam que estes ainda representam um risco significativo. Quanto maior e mais complexa uma empresa, mais pontos suscetíveis a uma eventual violação ela tende a apresentar. Para mais de 90% dos líderes em tecnologia, confiança e privacidade de dados terão tanta importância para atrair clientes quanto o produto ou serviço ofertado. Eles também acreditam que incluir especialistas em cibernética e dados desde o início do processo é uma forma eficiente de criar “confiança pelo design” e de racionalizar gastos, porque estes tendem a ser maiores quando a implementação é feita depois.

Não vou, neste artigo, esmiuçar toda a pesquisa. Ela pode ser consultada, na íntegra, clicando aqui. Meu objetivo é ressaltar a importância de as organizações repensarem prioridades, caminhos e interações, valorizando os talentos e traçando estratégias que coloquem a tecnologia na posição merecida.
Sem uma evolução consistente e rápida neste sentido, muitas empresas ficarão para trás, ainda que elas sejam grandes, sólidas e até desempenhem papel de liderança no momento atual. Em um cenário em que predominam mudanças profundas e rápidas, não há espaço para o comodismo. O novo mundo é ágil, disruptivo e passa por constantes transformações.

Pessoas utilizando tecnologia, mostrando os avanços dela.

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