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Business Insights

Governança em obras desde o primeiro instante - Edição 44

1 de dezembro de 2018

Já faz parte da tradição brasileira: uma obra pública raramente chega ao final dentro do prazo, das especificações e do orçamento que foram previstos em sua origem e concepção. E, a cada vez que uma modificação se faz necessária, o Poder Público é impelido a aprovar verbas emergenciais para cobrir as despesas imprevistas ou mal dimensionadas, ou então, a paralisar a obra por tempo indeterminado. O resultado já é conhecido: canteiros parados Brasil afora, obras concluídas a custos que chegam ao dobro ou triplo do estipulado e outras surpresas. As tecnologias que compõem o BIM — do inglês Building Information Modelling, que significa Modelagem da Informação da Construção —constituem-se em uma resposta tecnológica que pode auxiliar na resolução destes e outros problemas do universo da indústria da Construção.

Ou, pelo menos, um caminho para atenua-los tecnologias, processos e políticas que permitem aos múltiplos interessados de um empreendimento acolaborativamente projetar, construir e operar uma construção no espaço virtual. Este modelo virtual colaborativo, agrupa de forma integrada todas as informações de um projeto de construção, podendo reproduzir fielmente em 3D a visualização do empreendimento, incluindo detalhes como a especificação dos materiais de cada elemento (vidros, madeiras, alumínio, ferro etc.), suas quantidades, localização, sequenciamento de montagem, custos, dentre outras informações dependendo do uso. "Essa simulação permite visualizar a obra e entender seu comportamento antes de iniciar a construção", explica Emerson Melo, Sócio Líder de Building & Construction da KPMG no Brasil.

E não são apenas os aspectos arquitetônicos que podem ser considerados e reproduzidos pelo BIM: outras informações relativas às demais disciplinas da engenharia, tais como os aspectos de sustentabilidade e de sistemas prediais, podem ser incorporadas à simulação. "Além disso, o BIM pode ser utilizado tanto na construção pesada, em obras de infraestrutura, quanto em obras privadas e de menor porte, desde um shopping center até um prédio de apartamentos ou uma vila de casas", afirma Melo. Segundo o especialista, a visualização tridimensional de grande ajuda para a tomada de decisões, a identificação de potenciais problemas e até para a realização das melhores escolhas estéticas. "Trata-se de uma solução que abrange desde aspectos relacionados à Geometria e Relações Espaciais ate o controle do próprio ciclo de vida da construção, desde a definição dos processos construtivos até sua efetiva entrada em funcionamento", ele esclarece.

Gerenciamento mais simples Uma vez que os dados da construção ficam armazenados dentro de um ambiente comum de dados "BIM", toda modificação que for efetuada na obra—seja em plantas, seções, elevações etc. — poderá ser automaticamente replicada pelo modelo virtual. Desse modo, obtém-se uma documentação padronizada e atualizada em tempo real para todas as equipes que atassem o modelo, de projetistas a montadores, gerentes de projeto, etc.. No que se refere ao gerenciamento de dados, o BIM possibilita incluir toda sorte de informações — mesmo aquelas que não são "visuais". Assim, os dados sobre cronograma e custos, por exemplo, podem combinarem-se ao outros aspectos do empreendimento (como a obra será feita, quais interferências existem, dados de estoque em canteiros, etc.), e onde a simulação e estimativa do número de horas e a quantidade de recursos necessários para cumprir com a realização das atividades toma-se muito mais precisa, e até mesmo visual, explica Adriano Morais Gerente Sênior de Building & Construction da KPMG Brasil.

Morais assinala que, além de ser um modelo útil nas etapas de planejamento e construção, o BIM também pode ter o seu papel ao longo de toda a vida da edificação: "Por meio dele, os gestores da edificação pronta podem estimar custos de manutenção, necessidade e viabilidade de futuras reformas etc., já que a base de informação sobre o empreendimento foi compartilhada entre todas as áreas.", ele informa.

Sendo tão essencial ao planejamento, o BIM pode ser um instrumento de Governança muito interessante: "Compliance, transparência, governança, eficiência operacional: tudo é alavancado com o uso do BIM. Ou seja, o simples apertar de um botão dispara uma série de ações dentro da organização, refletindo-se em ganho de competitividade e agregação de valor", destaca Melo, para quem o BIM é a "mais importante disrupção que já impactou a indústria da construção civil". Para se ter uma ideia da relevância que o BIM pode adquirir face ã Governança, a Inglaterra já tornou seu uso obrigatório. "No Brasil, a O Decreto N° 9.377, de 17 de maio de 2018, institui a 'Estratégia Nacional de Disseminação do Building Information Modelling no Brasil - Estratégia BIM BR, com a finalidade de promover um ambiente adequado ao investimento em Building Information Modelling-BIM e sua difusão no Pais—, salienta Melo. "Ou seja, apesar de não ser legalmente exigido, o BIM jã é oficialmente incentivado pelo Governo. E creio que, cada vez mais, os editais de obras públicas Brasil afora farão exigência de seu uso".

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