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Edição 43

Inovar é preciso, financiar também - Edição 43

KPMG Business Magazine

1 de abril de 2018

As chamadas tecnologias disruptivas estão presentes nos mais diversos campos de atuação: da indústria automotiva ao setor bancário, da medicina ao agronegócio, não faltam exemplos de soluções revolucionárias que se baseiam no uso de inteligência artificial, Big Data, Data & Analytics etc. “A ordem geral é literalmente ‘jogar fora’ processos antigos, analógicos, e redesenhá-los com tecnologia digital pesada”, afirma Alan Riddell, sócio responsável pela assessoria a captação de recursos da KPMG no Brasil.

Tal fenômeno é mundialmente chamado de “advento da indústria 4.0”, e, grosso modo, serve para designar as tecnologias para automação e troca de dados, com aplicação de sistemas ciberfísicos (formado por elementos computacionais colaborativos que controlam entidades físicas); Internet das Coisas (rede de objetos físicos, veículos, prédios e outros, que possuem tecnologia embarcada, sensores e conexão com redes capazes de coletar e transmitir dados); e Computação em Nuvem (quando se utiliza a memória e a capacidade de armazenamento e cálculo de computadores e servidores compartilhados e interligados por meio da Internet).

“Nesse cenário, logo nos vem à mente a imagem romântica das startups concebidas por gênios nerds e iniciadas em instalações modestas”, observa Riddell.

Ledo engano!

É certo que ainda surge um grande número de startups ano após ano – muitas delas com propostas revolucionárias e grandes chances de desenvolvimento. Entretanto, a maioria dura mais que alguns meses. “A mortalidade das startups é elevada, no Brasil e no mundo”, analisa Riddell.

E assim, é nas grandes empresas que vemos atualmente florescer alguns dos mais importantes celeiros de ideias transformadoras. Companhias bem estruturadas têm apostado na criação de áreas dedicadas à inovação, sejam no formato de pequenos comitês ou de gerências e diretorias específicas. “Em alguns casos, são montados núcleos de inovação fora da estrutura normal da empresa, para que os grupos possam trabalhar de forma independente, sem sofrer pressão do status quo”, comenta Riddell. Nesses casos, o projeto de inovação é inserido em algo semelhante a uma incubadora – e depois, mais maduro, é enfim incorporado aos processos.

“É um desafio encontrar a melhor equação, selecionar projetos e tecnologias que têm real chance de dar certo, de produzir resultados em médio e longo prazos, e decidir o volume de recursos que será destinado a cada um desses desafios”, pondera o sócio da KPMG.

“É um desafio encontrar a melhor equação, selecionar projetos e tecnologias que têm real chance de dar certo, de produzir resultados em médio e longo prazos, e decidir o volume de recursos que será destinado a cada um desses desafios”, pondera o sócio da KPMG.

No mundo das pequenas startups, as fontes de financiamento costumam ser os venture capture e os investidores-anjos. Já para as empresas de maior porte, as fontes de financiamento voltadas a esse tipo de iniciativa são bem mais abrangentes do que o simples venture capture: além das linhas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), temos também a Empresa Brasileira de Educação e Pesquisa (Finep) e a possibilidade de obter benefícios fiscais por meio da Lei do Bem (Lei 11.196/05), que concede benefícios fiscais para pessoas jurídicas que realizarem pesquisa e desenvolvimento de inovação tecnológica e estejam no Regime de Lucro Real.

“O Brasil está um pouco atrasado nessa caminhada. Precisamos compensar, de alguma forma, essa demora”, conclui Riddell.

Transformando sonhos em realidade

A empresa SP Ventures é uma firma brasileira especializada em comprar participação acionária em empresas reconhecidamente inovadoras no setor do agronegócio, e que apresentem um altíssimo potencial de crescimento no curto prazo. Assim, a SP Venture não empresta dinheiro, mas financia a inovação na medida em que se torna sócia e passa a trabalhar intensamente para a plena realização do potencial da empresa. A seguir, Francisco Jardim, Sócio-fundador da SP Ventures, comenta sobre o funcionamento da organização.

O Brasil vai ser um celeiro de empresas que irão liderar a nova revolução digital no campo.
BM: Por favor, comente a estratégia de negócios da SP Ventures

FJ: Unimos uma cultura empreendedora dinâmica e altamente competitiva com os maiores centros de pesquisa do mundo no nosso agronegócio. Por esses motivos, entendemos que o Brasil vai ser um celeiro de empresas que irão liderar a nova revolução digital no campo. Nossa estratégia na SPV é ser o principal fornecedor de liquidez e apoio à gestão, atuando como sócio minoritário, mas ativo, destas empresas. Nosso propósito é garantir que seremos líderes não apenas na exportação de commodities, mas também de tecnologia para a agricultura.

BM: O senhor poderia falar a respeito de alguns projetos que estejam atualmente em curso?
 
Francisco Jardim
   

FJ: Somos sócios e investidores de empresas em quase todas as prinipais revoluções tecnológicas do campo. Apoiamos a principal plataforma digital da agricultura na América Latina, a Agrosmart. Apoiamos a principal empresa de data science que transforma informação bruta de satélites em inteligência para a cadeia agro, a LATAM - Agronow. Investimos na primeira empresa a usar o blockchain para revolucionar a forma como a agricultura é financiada, a BartDigital. No Brasil, estamos na fronteira tecnológica da agricultura digital, onde as startups estão levando todas as principais novas rupturas tecnológicas (Drones, Robótica, Satélites, Blockchain, IoT, Mobile, Computação em Nuvem etc.) para o campo.

BM: Qual a mortalidade estimada de startups hoje no Brasil, e de que maneira a expertise da SP Ventures contribui para que essas empresas tenham uma sobrevida e de fato se tornem cases de sucesso?

FJ: Depende muito do perfil de ambição da startup. Normalmente, quanto mais ousada, maior o risco, maior a aposta e maior a probabilidade de mortalidade. Hoje, trabalhamos com uma expectativa de 30 a 50% de expectativa de mortalidade dentro do portfólio.

BM: O que é mercado de agtech?

FJ: O mercado de agtech – isto é, tecnologia aplicada à agricultura – começou a ganhar impulso por volta de 2013, nos Estados Unidos, e logo se estendeu para Israel e Canadá. No Brasil, apesar de estarmos investindo neste segmento desde 2009, o setor explodiu de fato a partir de 2015-16. Entre 2007 e 2014, analisamos 54 agtechs. Entre 2015 e 2018, já recebemos mais de 400 propostas. As grandes empresas também começaram a se engajar, e eu não tenho dúvidas que as agtechs estão na mesma rota que as fintechs estavam alguns anos atrás.

 

Andre Coutinho (Sócio membro do Comitê Executivo responsável pela área de Mercados na KPMG no Brasil.)

<p>Com 24 anos de experi&ecirc;ncia,&nbsp;atua em estrat&eacute;gia de&nbsp;desenvolvimento de mercado setorial e regional, programa de&nbsp;contas&nbsp;e atividades de marketing.</p>
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