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Confiança impulsiona fusões e aquisições em Consumo e Varejo

Estudo da KPMG destaca número recorde de transações no setor em 2021. O ano também foi de crescimento no mercado brasileiro.

mulher em cima de um carrinho de supermercado

31 de março de 2022


Com a redução das restrições sanitárias e a recuperação da confiança do consumidor, o ano de 2021 registrou recorde em fusões e aquisições no segmento de Consumo e Varejo. As 6.789 transações concretizadas no último ano representam o maior volume em duas décadas para o setor, que observou um boom dos investimentos de Private Equity, num movimento de crescente protagonismo dos investidores financeiros.

Esses são alguns dos destaques do estudo Striding forward with confidence: Global Consumer & Retail 2022 M&A Outlook, desenvolvido pela KPMG, que apresenta um panorama das fusões e aquisições no setor de Consumo e Varejo em 2022. No âmbito brasileiro, o estudo destaca o crescimento de 100% nos primeiros nove meses de 2021 e o cenário de dificuldades econômicas esperado para este ano.

Para conferir todos os insights do estudo, clique aqui!

E, abaixo, você confere um bate-papo com Fernando Gambôa, sócio-líder de Consumo e Varejo da KPMG no Brasil e na América do Sul, que conta mais detalhes sobre os desafios e tendências do setor.

Como a aceleração das fusões e aquisições tem impactado o setor de Consumo e Varejo na América do Sul?
Temos visto um grupo de empresas que estão buscando cada vez mais se tornar um ecossistema digital, com aquisições que vão muito além do core tradicional do varejo. Esse é o primeiro grande destaque quando a gente olha essas aquisições destacadas pela pesquisa: marketplaces que estão se fortalecendo cada vez mais, rumo ao ecossistema de negócios.

Dentre as empresas que fizeram aquisições, identificamos duas grandes tendências: a primeira é relacionada com a estratégia de complemento de portfólio, quando a empresa começa a comprar algumas marcas que tinham algo interessante para complementar o seu portfólio, podendo ser algo muito voltado para o mercado digital, empresas que já faziam um marketing digital agressivo ou com uma participação maior em vendas digitais. Nesse grupo, temos também aquelas aquisições feitas com o objetivo de melhorar a atuação no seu core, ou seja, empresas que tinham uma atuação muito forte nas categorias C e D e que compraram uma marca para atuar mais fortemente na categoria B, ou vice-versa.

E a segunda tendência que identificamos, e aqui falamos especificamente do Brasil, são as empresas que, tradicionalmente, compravam e tinham uma venda muito forte em determinadas categorias e que ficaram numa situação difícil por causa da retração econômica, por exemplo, grande comerciantes de categorias que são muito dependentes de crédito, como é o caso dos segmentos de linha branca, eletrônicos, smartphones, etc. Essas empresas começaram a fazer aquisições de negócios diferentes dessas categorias tradicionais, incluindo, por exemplo, a alimentar, para diminuir a alta dependência dessas categorias, que realizam boa parte das vendas em parcelas e sofrem em ambiente de alta de juros e inflação.

Considerando o cenário atual e os desafios da região, quais as perspectivas deste ano para as fusões e aquisições no setor de Consumo e Varejo? Você enxerga a manutenção dessa tendência?

Acredito que conseguiremos manter o ritmo, porque o varejo permanece um mercado muito interessante para as empresas atuarem. Temos visto, por exemplo, grandes varejistas chineses fazendo bons movimentos para entrar na nossa região. Ainda mais agora, olhando para o conflito na Ucrânia, isso deve interferir no fluxo de investimento para os BRICS, fazendo com que Brasil e Índia se tornem mais atrativos para investimento estrangeiro, o que deve contribuir para manter as fusões e aquisições em alta na região. Também temos tido um avanço muito grande de startups criadas aqui, como retailtechs, adtechs, martechs, empresas que também são alvo de aquisição por varejistas tradicionais que buscam complementar o seu negócio, que veem uma inovação ou capacidade adicional em uma dessas startups.

Olhando para essas transformações no mercado de consumo e varejo durante a pandemia, há algum outro insight relevante da pesquisa que você destacaria?

Eu diria que, desde a pesquisa do ano passado, temos notado uma mudança em alguns investimentos tradicionais do varejo. Em termos de tecnologia, o setor estava muito acostumado a fazer investimento em sistema de backoffice, de compliance. E nesse último ano, com o avanço do comércio digital impulsionado pela pandemia e pela mudança nos hábitos de consumo, há uma mudança do fluxo de investimento para as soluções de frontoffice, que são tecnologias que impactam vendas e dialogam diretamente com os clientes, como sistemas de previsão de venda, sistemas de preço dinâmico, gestão de clientes, programas de fidelidade, dentre outros. São novas tecnologias que começaram a atrair o interesse, principalmente de varejistas que estão avançando no meio digital. E existem muitas startups que já dominam essas tecnologias, passando a ser alvo dessas aquisições na busca por um diferencial competitivo.

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